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Importância do controle precoce de plantas daninhas na reforma das pastagens

23 de setembro de 2022 por Neivaldo Tunes Caceres

Foto: Neilvado Tunes Caceres

Estamos no fim do período seco e da retomada das chuvas nas regiões produtoras do Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país, determinando o início das ações que o pecuarista direciona para as áreas eleitas para reforma das pastagens em sua propriedade.


Em minhas andanças pelas mais diversas regiões produtoras de pecuária, comento sobre o controle das plantas daninhas nesse ambiente com os produtores e, na quase totalidade dos casos, percebo a ausência de preocupação com esta atividade.


Infelizmente, boa parte dos pecuaristas ainda não está sensibilizada, ou convencida, da necessidade do controle das plantas daninhas numa formação da pastagem, controle este sendo necessário num período bastante precoce em relação ao plantio.


Discorremos a seguir sobre as implicações que as plantas daninhas exercem na fase inicial de formação das pastagens.


Planejamento

Assim como percebo a falta de preocupação do pecuarista para o controle das plantas daninhas nos plantios e reforma das pastagens, também observo que igualmente os fornecedores de sementes de pastagens, em sua grande maioria, não orientam o pecuarista para essa necessidade.


Ressalto a importância dos fornecedores de insumos, entre eles os produtores de sementes de pastagens, como difusores de tecnologia, a além de estarem empenhados em bem posicionarem seus produtos para as diferentes condições edafoclimáticas, com seus materiais genéticos específicos, nas quantidades de sementes adequadas, semeadas nas épocas e profundidades corretas, que também se preocupem com o bom estabelecimento da pastagem num ambiente livre da concorrência exercida pelas plantas daninhas.


Os investimentos necessários para a implantação, ou renovação, de um hectare de pastagem, giram entre os R$2 mil e R$3 mil, dependendo do nível tecnológico empregado pelo pecuarista e da região em que este se encontra. Estes custos consideram as operações mecanizadas de preparo de solo, aquisição e aplicação de insumos, como calcário, fertilizantes e sementes, e o próprio plantio em si, geralmente se esquecendo de contemplar o uso de herbicidas neste processo.


No planejamento do plantio, em sua planilha de custos e cronograma de operações, é fundamental que o pecuarista inclua os custos com herbicidas e aplicação deste importante insumo para o sucesso do estabelecimento adequado da pastagem.


Quando se iniciam as perdas

As plantas daninhas exercem uma competição intensa na fase de estabelecimento da pastagem. Estudos realizados dão a dimensão das perdas de produtividade e da qualidade da forragem, decorrente da competição exercida pelas plantas daninhas durante a primeira fase de desenvolvimento da pastagem.


O pecuarista em geral se surpreenderá com a precocidade dos efeitos danosos na produtividade da pastagem decorrente da competição com as plantas daninhas. As perdas já são mensuráveis a partir de 10 a 15 dias de convívio das plantas daninhas com a pastagem plantada, o que indica que estas precisam ser eliminadas também muito cedo.


Como mostra o trabalho do professor Sidnei Marchi, da UFMT de Barra do Garças, à medida que aumenta o tempo de competição com as plantas daninhas, a pastagem segue perdendo produtividade linearmente, chegando à redução de 48% de produção de forragem em uma pastagem que conviveu por 120 dias com as invasoras, quando comparada a uma livre de competição desde o plantio.


Figura 1.  Representação gráfica dos valores ajustados e da equação de regressão obtida com os dados referentes ao incremento médio quinzenal de massa seca total de Brachiaria brizantha.

Fonte: Souza Neto et al., 2011. Neste gráfico o termo “PAI” se refere a “período anterior à interferência”, ou seja, o período de tempo ao qual posteriormente se constata uma perda em produtividade da ordem de 5%. Esse período se refere ao número de dias após a emergência das sementes da forrageira, assim, o pecuarista deve estar atento para quando isso ocorre, posteriormente ao plantio propriamente dito.


Outros autores determinaram períodos anteriores à interferência (PAI), ainda mais curtos, como em Jakelaitis et al. (2010), que encontraram, em um estudo de implantação de pastagem de Brachiaria brizantha, PAI de 9 dias após a emergência. Mais recentemente, em 2019, também estudando Brachiaria brizantha cv Marandu esse mesmo time de pesquisadores determinou PAI de 8 dias após emergência.


Em uma renovação de capim Massai, Mota (2017) determinou em seu estudo o PAI de 10 dias após a emergência.


Como se pode observar, as informações apontam para a necessidade de um controle da infestação bastante precoce em relação à emergência das sementes da forrageira e, nos exemplos mencionados, observaram-se perdas entre 30 e 48% na produtividade do capim, salientando também que os períodos de estudo foram ainda bastante limitados, entre 60 e 120 dias de duração, no máximo.


Perdas além da produtividade

A forragem produzida em convívio com as plantas daninhas mostra menor quantidade de folhas verdes e mais talos e hastes lignificadas, que possuem mais fibra e pior qualidade nutricional, decorrente do estiolamento das plantas em busca da luz solar. Esse estiolamento fragiliza a base das touceiras que, além de menos perfilhadas, agravam a ocorrência do mencionado acamamento, não só pela ação dos animais em pastejo, mas até por ventos fortes.


As plantas daninhas que surgem no processo de formação da pastagem são, na quase totalidade, provenientes de sementes, sendo facilmente controladas por tratamentos com herbicidas que demandam baixíssimo investimento. Estima-se que o valor destinado ao produto e aplicação seja inferior a 5% do custo da reforma, com um retorno que simplesmente pode definir o sucesso ou o fracasso da operação.


Enfim, a implantação de uma pastagem é um investimento considerável na propriedade e um bom começo é essencial para uma plantação considerada perene. Alguns erros básicos podem tornar esse perene em uma plantação de apenas poucos anos. Numa pecuária cada vez mais profissional e competitiva, não há espaço para que isso ocorra.


Mais informações

Estas e outras informações estão ainda mais detalhadas em nosso livro “Plantas daninhas em pastagens: biologia, manejo e controle”, lançado no ano passado.

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